Os Estados Unidos e a China intensificaram sua competição no campo da inteligência artificial (IA), com ambos os países anunciando planos que priorizam a importância da IA de código aberto. Em julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, destacou essa abordagem como uma prioridade nacional, surpreendendo muitos analistas. Essa mudança de foco ocorre em um cenário onde empresas chinesas, como Baidu e Alibaba, têm promovido modelos de IA abertos para expandir sua influência global.
O modelo DeepSeek-R1, lançado pela China em janeiro, rapidamente se tornou um sucesso entre desenvolvedores. Disponibilizado com “pesos abertos”, permitiu que qualquer um com os recursos adequados o utilizasse e adaptasse. Em poucos dias, o modelo se tornou o mais popular na plataforma Hugging Face, com milhares de variantes criadas, incluindo por empresas dos EUA. Clément Delangue, CEO da Hugging Face, observou que, pela primeira vez, a tecnologia de IA americana estava sendo construída sobre bases chinesas.
Enquanto isso, empresas dos EUA, como OpenAI e Google, têm se afastado da abordagem de código aberto, oferecendo modelos avançados apenas por meio de APIs fechadas. Essa mudança representa um retrocesso significativo, segundo Delangue, pois limita a inovação e a experimentação. Entre 2016 e 2020, os EUA foram líderes em IA de código aberto, mas o fechamento atual dos modelos pode criar obstáculos para o progresso tecnológico global.
Com o aumento do apoio político à IA de código aberto nos EUA, há uma oportunidade de revitalizar a inovação nesse setor. A comunidade de IA americana precisa adotar a ciência aberta para recuperar sua liderança. A OpenAI parece estar ciente dessa necessidade e está se movendo nessa direção, o que pode ser crucial para o futuro da tecnologia de IA.
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