O Sagui-caveirinha, espécie entre as 25 mais ameaçadas do planeta, foi identificado nas matas ao redor da área a ser alagada pela barragem Ribeirão Piraí, em Salto, interior de São Paulo. A obra, embargada pelo Ibama, parou temporariamente para permitir o resgate de exemplares do sagui-da-serra-escuro, conhecido como sagui-caveirinha.
A barragem é fruto de um consórcio entre Salto, Itu, Indaiatuba e Cabreúva e visa abastecer quatro cidades da região com água em situação de escassez. A estrutura terá 15 m de altura e 415 m de extensão, acumulando 9,7 bilhões de litros e inundando 51 hectares, principalmente áreas de Mata Atlântica.
Resgate e manejo da fauna
A licença ambiental de 2016 previa estudo de fauna e desmatamento, o que levou à identificação do sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) nos trechos a serem impactados. Em 2024, o Ibama embargou a obra até a apresentação de um plano de resgate específico.
O resgate é conduzido pela Ecossis Soluções Ambientais. Segundo o biólogo Gustavo Leite, houve captura de um grupo com híbridos e de um segundo grupo com um exemplar puro de C aurita. O objetivo é reduzir o risco de extinção da espécie.
Ambiente e reprodução
O sagui-caveirinha possui máscara no rosto que lembra uma caveira, o que reforça seu apelido comum. A espécie é endêmica da Mata Atlântica e está sob proteção em níveis estadual, nacional e internacional, com a hibridação com C penicillata como fator de alerta.
A área desmatada abriga os animais e, conforme o plano de manejo, saguis de tufos-pretos capturados são esterilizados para evitar a continuidade da hibridação que pode eliminar cânones de C aurita.
Operação de captura e destino
A captura ocorre por meio de cevas, plataformas com bananas, equipadas com caixas de som que reproduzem vocalizações dos saguis para atraí-los. Doze animais capturados já foram encaminhados ao Cras da Univap, em São José dos Campos, para tratamento e reabilitação.
Animais aptos à soltura no ambiente natural retornarão às matas de Salto, com monitoramento por um ano. O objetivo é preservar a pureza genética da espécie e impedir a passagem de híbridos para os grupos puros.
Situação atual
O Ibama e o Consórcio informam que o trabalho de resgate segue acompanhado da continuidade das obras da barragem. Um exemplar puro de sagui-caveirinha foi levado ao Cras de São José dos Campos. A área de atuação permanece com monitoramento ambiental constante.
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