Desde 1957, o lançamento de satélites gerou um vasto conjunto de detritos que orbitam a Terra, formando um conjunto de riscos para futuras missões. Pesquisas recentes avaliam como pequenas mudanças orbitais podem acumular impactos.
Grupo da Unesp, com apoio da Fapesp, mapeou faixas de ressonância próximas à Terra entre 563 km e 599 km de altitude. Em 4 km de largura, picos de ressonância elevam o risco com alterações de apenas 50 m na órbita.
O estudo simulou 210 órbitas ao longo de 12 mil dias, cerca de 33 anos, e observou efeitos de atraso de até 500 dias em algumas situações, principalmente em detritos com inclinação de 87°. As variações ocorrem mesmo sem novas perturbações.
Descobertas da Unesp
A análise usou dados do CelesTrak para identificar regiões de maior sensibilidade orbital. A presença de ressonância 15:1, comum em áreas muito utilizadas por satélites, também intensifica a concentração de detritos nessas faixas.
Segundo Formiga, pequenas mudanças na trajetória de detritos próximos podem desestabilizar combinações de órbitas, levando a colisões entre fragmentos e à geração de novos detritos, em um efeito dominó conhecido como síndrome de Kessler.
Desdobramentos e contexto
Agências espaciais trabalham para monitorar detritos com mais de 10 cm e entender onde evitar lançamentos. A ESA, em conjunto com a startup ClearSpace, planeja limpar lixo orbital com uma missão prevista para 2026, usando braços robóticos para capturar objetos desativados.
O plano IDEAL é capturar o alvo, arrastá-lo até a reentrada na atmosfera e queimar na entrada. Até agora, nenhum programa de limpeza está plenamente em operação, mas as iniciativas seguem em desenvolvimento para reduzir riscos no LEO.
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