O maior datacenter proposto do Reino Unido, em Cambois, Northumberland, recebe aprovação para a primeira fase de construção. A empresa norte-americana QTS sustenta ter um sistema de refrigeração sem consumo de água, considerado sustentável. Entenda a controvérsia sobre a água indireta envolvida.
Análise recente aponta que o uso de água indireta pode superar em muito as estimativas da empresa. Enquanto a QTS indica 2,3 milhões de litros de água anuais para as duas primeiras salas, a metodologia adotada por pesquisadores sugere 124 milhões de litros por ano apenas para a geração de energia dos servidores de IA.
Ao ampliar para as 10 instalações, o consumo indireto chegaria a cerca de 621 milhões de litros anuais, equivalente ao uso anual de mais de 11 mil moradores. O campus utiliza um sistema de circuito fechado, que recircula a água, mas demanda mais energia para resfriar os equipamentos.
Sustentabilidade e impactos
A QTS afirma que a energia deslocada pela usina é, em grande parte, proveniente de fontes diversas e que não controla a quantidade de água utilizada na geração de energia. Especialistas destacam a necessidade de transparência sobre a pegada hídrica indireta associada à demanda energética.
Especialistas lembram que a logística de energia intensiva para datacenters também pode aumentar a poluição do ar. Em estudos nos EUA, pesquisadores apontam emissões de partículas finas e NOx associadas à geração de energia e ao uso de geradores a diesel para backup.
Geradores e saúde local
Ao concluir as operações, o campus de Cambois deverá dispor de quase 600 geradores a diesel como reserva, com até 58 por sala. Reguladores em outros polos mostram tensões entre confiabilidade e restrições ambientais em situações de falha de rede.
A QTS sustenta que os geradores são usados apenas em emergências e que testes periódicos são de curto período. A empresa afirma ainda que as emissões costumam ficar dentro de limites permitidos e que não controla operações de concorrentes em outros mercados.
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