A análise exclusiva da ClimatePartner aponta que planos dos EUA para explorar reservas de petróleo da Venezuela poderiam consumir mais de 13% do orçamento global de carbono restante até 2050, caso haja expansão da produção para manter o aquecimento dentro de 1,5°C. O estudo calcula impactos com aumento gradual da produção venezuelana.
Segundo o levantamento, o cenário considera avanço de 0,5 milhão de barris por dia até 2028, subindo para 1,58 milhão de bpd entre 2035 e 2050. Mesmo assim, o patamar não chegaria aos 3,5 milhões de bpd observados no auge dos anos 1990.
A Venezuela abriga as maiores reservas comprovadas de petróleo, mas o combustível extraído é de alta intensidade de carbono devido à qualidade pesada. A Orinoco Belt apresenta emissão estimada de 1.460 kgCO2e por barril equivalentes, muito acima de fontes como a Noruega.
Ação internacional e impactos
Em meio a tensões, o governo venezuelano tem enfrentado sanções prolongadas que deixaram a infraestrutura em ruínas, o que complica a exploração. Na última semana, relatórios indicaram a apreensão de Nicolás Maduro em operações internacionais, com repercussões internacionais sobre investimentos no setor.
Especialistas ouvidos pela ClimatePartner indicam que ampliar a produção de petróleo de alto carbono pode comprometer trajetórias climáticas globais ao redor de 1,5°C, pressionando políticas de transição para energia de baixo carbono.
Reações e críticas
Organizações ambientais ressaltam que investir na expansão desse petróleo é incompatível com metas climáticas. A Greenpeace afirma que a rota de exploração seria arriscada para comunidades e ecossistemas, defendendo uma transição justa para energia limpa.
A análise destaca ainda que o aumento na produção venezuelana, mesmo dentro de limites técnicos, elevaria drasticamente as emissões associadas, dificultando a redução necessária para cumprir compromissos climáticos globais.
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