A equipe da MIT McGovern Institute for Brain Research identificou componentes da rede de linguagem no cerebelo, região tradicionalmente ligada à coordenação motora. O estudo confirma que áreas cerebelares participam da compreensão, leitura, fala, escrita e sinais.
Pesquisadores liderados pela professora Evelina Fedorenko analisaram dados de ressonância magnética de mais de 800 voluntários, em tarefas linguísticas e não linguísticas. O objetivo foi mapear de forma precisa as regiões dedicadas ao processamento de linguagem.
Colton Casto, aluno de Harvard e MIT, afirma que é necessário considerar o cerebelo na pesquisa de linguagem. A equipe já havia mapeado a rede de linguagem no neocórtex, mas a anatomia individual varia, exigindo localização personalizada em cada pessoa.
Rede subsidiária no cerebelo
Foram identificadas quatro áreas cerebelares associadas ao uso da linguagem. Três delas mostraram participação em tarefas não linguísticas, surpreendendo os pesquisadores, já que áreas centrais do neocórtex dedicam-se exclusivamente à linguagem.
Entre os achados, destaca-se um ponto no cerebelo direito, na região posterior, cujos padrões de atividade lembram a rede de linguagem do neocórtex. Essa área foi chamada de satélite cerebelar da rede de linguagem.
Os investigadores ressaltam que as funções cerebelares podem refletir integração de informações de diferentes partes do córtex, contribuindo para cognição complexa. O estudo sugere novas perguntas sobre o papel do cerebelo no aprendizado de línguas.
A pesquisa também aponta possibilidades terapêuticas. O direcionamento de estímulos não invasivos para a região cerebelar direita pode emergir como caminho para apoiar a recuperação de afasia, caso danos no neocórtex comprometam a linguagem.
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