Zuber Bux, médico previamente registado, foi excluído do conselho profissional após uma circumcisão considerada de alto risco. Ainda assim, ele atua como praticante leigo na área, oferecendo o procedimento em residência particular.
Dados obtidos pelo National Secular Society via FOI mostram que Bux é um dos três ex-médicos com licença cassada pela clínica reguladora entre 2012 e 2022, por queixas sobre circumcisões mal executadas.
Em 2021, o General Medical Council manteve uma queixa de má conduta grave envolvendo a circumcisão de um bebê de 15 meses, realizado por Bux em ambiente comunitário, apesar de uma condição cardíaca conhecida. O caso levou à internação do paciente.
A decisão do GMC destacou que o caso era grave e envolvia uma criança vulnerável, com uma atuação considerada cavalheira por parte do médico, levando à hospitalização em situação potencialmente fatal. A punição foi a remoção do registro médico.
Apesar da sanção, Bux continua anunciando serviços como circuncidade em seu site, sob a rubrica de circuncisão prática. Não há exigência de formação médica para circuncisadores no país, o que explica a continuidade do serviço.
Casos históricos semelhantes também revelam prática continuada após cassação. Em 2015, Mohammad Siddiqui teve a licença suspensa e, posteriormente, recebeu condenação por causar dor e sofrimento em circuncisões entre 2014 e 2019. Em 2020-2025, discussões judiciais e regulatórias se intensificaram sobre a ausência de regulamentação da prática.
Na semana passada, a Guardian revelou que o Crown Prosecution Service analisa orientações para classificar circuncisão como possível abuso infantil, diante de preocupações sobre a regulação do procedimento. Desde 2001, houve registros de mortes associadas a esse tipo de prática.
No site de Bux, há atendimentos voltados a bebês até seis meses, em cidades do noroeste da Inglaterra, incluindo Blackburn, Preston, Bolton, Burnley, Accrington e Nelson. O portal diz que ele atua desde 2003 e que já foi sócio sênior de uma clínica geral; não esclarece por que não está mais registrado pelo GMC.
Especialistas de direitos humanos destacam riscos à proteção infantil quando a circuncisão ocorre fora de ambientes médicos. Alejandro Sanchez, da NSS, ressalta a necessidade de que o procedimento seja realizado apenas por médicos e com necessidade médica comprovada, preferencialmente quando a criança puder decidir no futuro.
O NSS informa que o tema envolve salvaguarda infantil, segurança médica e direitos religiosos, com atuação de terceiros sem supervisão profissional. A advogada informou que Bux não respondeu aos pedidos de comentário.
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