O plug-in hybrid, veículo que combina motor a combustão com motor elétrico alimentado por bateria, está consumindo mais combustível na prática do que apontam os fabricantes. A afirmação vem de uma análise de grande escala envolvendo cerca de um milhão de PHEVs em circulação.
O estudo foi conduzido pelo Fraunhofer Institute, considerado uma das maiores avaliações já feitas sobre o tema. Os dados foram coletados entre 2021 e 2023, transmitidos sem fio pelos carros, e permitiram medir o consumo real de combustível. A comparação é com os valores oficiais certificados pela UE.
Os modelos avaliados utilizam dois modos de funcionamento: elétrico e a combustão. Os resultados mostram que, na média, esses carros consomem seis litros por 100 km, cerca de 300% a mais do que as estimativas oficiais de fábrica, que apontam entre 1 e 2 litros por 100 km.
Resultados do estudo
A variação no consumo real está associada à forma como os PHEVs operam, segundo os pesquisadores. A ideia de que o motor elétrico sustenta a maior parte da condução não se confirmou; o motor a combustão é acionado com maior frequência do que o estimado, elevando o consumo geral.
Entre os fabricantes, veículos alemães aparecem entre os mais elevados, com destaque para alguns modelos da Porsche. Em média, os híbridos da marca registraram consumo próximo de sete litros por 100 km quando o motor a combustão é acionado, superior ao observado em não-PHEVs.
Reações e contextos
Modelos de menor preço, como os da Kia, Toyota, Ford e Renault, apresentaram os menores consumos entre os PHEVs, com menos de um litro por 100 km em média, chegando a reduzir o consumo em até 85% frente aos Porsche.
Ao ser contatada pela SWR, a Porsche citou padrões de uso variados como explicação para as diferenças de consumo entre veículos, reforçando que os números seguem procedimentos de medição legais da UE para garantir comparabilidade entre países.
Os pesquisadores pedem que reguladores da UE adotem dados de uso real para calibração de emissões. Segundo o estudo, os limites de CO2 permitidos para frotas precisam ser ajustados com base no comportamento real dos veículos na estrada.
A Comissão Europeia, questionada sobre o tema, não comentou os resultados. Já a Associação Alemã da Indústria Automotiva informou que acredita que as medidas atuais para consumo de combustível e emissões são confiáveis.
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