A pintura Hesitate, de Bridget Riley, um marco do Op art de 1964, passou pela sua primeira limpeza conservativa na Tate Britain. A intervenção utilizou um tratamento pioneiro desenvolvido pelo Greenart, programa internacional com foco em soluções de limpeza sustentáveis para o patrimônio cultural. A equipe de conservação da Tate levou a cabo o procedimento sem aplicar pressão que pudesse danificar a superfície da obra.
A limpeza ocorreu com hidrogéis, materiais semi-sólidos que contêm o agente de limpeza e eliminam a necessidade de rolar o cotonete sobre a superfície. A abordagem reduz o risco de desgaste, preservando a pintura a partir de pigmentos de baixa aderência usados na época.
Metodologia sustentável e parcerias
O projeto Greenart, coordenado pelo Centre for Colloid and Surface Science, em Florença, permitiu testar polímeros à base de acetato de polivinila usados na obra e em outras de Riley, Sidney Nolan, Kenneth Noland e Nelson Kenny. A equipe destacou que, diferentemente de métodos químicos tradicionais, os hidrogéis minimizam a pressão sobre o suporte.
O processo seguiu etapas de teste com réplicas preparadas a partir de análises químicas e microscópicas das camadas de tinta. Em 2024, Riley visitou a equipe para acompanhar o desenvolvimento. O projeto também envolve a Peggy 6 como referência, com a Greenart buscando técnicas ainda mais eficazes.
Resultados e próximos passos
Os hidrogéis utilizados podem ser reutilizados e são avaliados por meio de análises de ciclo de vida, com foco na sustentabilidade. O método evita alterações indesejadas na superfície e na identificação de traços da artista. Ainda não há data definida para a reexibição de Hesitate no museu. A obra Fall, anteriormente limpa, permanece em exibição até 7 de junho.
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