Na cidade de Barreirinha, no Amazonas, a chegada da fibra óptica em 2023 mudou o modo como moradores e empresas interagem com a prefeitura. Antes, quase tudo era resolvido de forma presencial e com papel, atraso e burocracia.
Segundo Gilmar D’Aquino, ex-secretário de administração e planejamento, as enchentes históricas que atingem o município deixaram grande parte dos documentos arquivados vulneráveis. A digitalização era vista como necessidade para evitar perdas.
Com a internet estável, Barreirinha passou a oferecer serviços digitais: poda de árvores, tapa-buracos, ligação de água e outros, todos acessíveis pela web. Ao todo, aproximadamente 80 serviços já estão digitalizados.
Panorama nacional da transformação digital
Uma pesquisa da Softplan, que ouviu 1.290 servidores de 334 cidades, mostra que 49% das prefeituras ainda utilizam papel em setores da administração. Já 75% dos atendimentos ao cidadão ocorrem presencialmente.
O estudo aponta que apenas 14% das prefeituras operam 100% digitalizadas na gestão de processos. Entre as cidades, quase metade ainda não planeja adotar inteligência artificial, indicando atraso relativo à esfera federal e estadual.
Na prática, a digitalização avança mais nas áreas estruturais: 60% digitalizam gestão de documentos, 52% licitações e compras, e 49% atendem o cidadão por canais digitais. Assinatura eletrônica aparece entre as ferramentas mais usadas.
Casos de referência na gestão pública
A cidade de Atibaia, interior paulista, iniciou, em 2019, a eliminação gradual do uso de papel. Durante a pandemia, o projeto ganhou impulso e, após um acordo com o BNDES em 2023, a arrecadação com dívida ativa saltou de cerca de R$ 5 milhões para R$ 16 milhões naquele ano.
Hoje, Atibaia oferece 590 serviços digitalizados, com 63% das solicitações pelo site, 32% por Whatsapp e telefone, e apenas 5% atendidos presencialmente. A relação entre digitalização e eficiência é um ponto destacado pelo estudo.
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