Na estreia da série Emergência Radioativa, a narrativa do Césio-137 em Goiânia voltou a ganhar destaque. Entre as vítimas, uma menina de 6 anos ficou marcada pela história real que inspirou a personagem Celeste.
A contaminação teve origem em uma clínica de radiologia abandonada, onde catadores encontraram o material. Eles venderam a sucata para um ferro-velho, que acabou abrindo a peça com césio-137 exposto. O pó azul brilhoso atraiu a curiosidade do dono do ferro-velho.
Leide das Neves Ferreira recebeu o material por meio do casal que trabalhava no ferro-velho e, ao consumir pão com as mãos contaminadas, foi exposta a radiação. Ela faleceu no dia 23 de outubro de 1987, no Hospital Naval do Rio de Janeiro.
Envolvidos e desfechos
A tragédia envolveu dezenas de pessoas, entre as quais o próprio dono do ferro-velho, Devair Alves Ferreira, que acabou morrendo em 1994, após enfrentar depressão e cirrose. Maria Gabriela Ferreira, esposa dele, também faleceu. Outros quatro óbitos ocorreram entre outubro de 1987 e anos seguintes, incluindo dois trabalhadores do ferro-velho.
Para Leide, o desfecho ocorreu após uma parada cardíaca e respiratória causada pela radiação. O irmão Lucimar, que sobreviveu, ainda enfrenta problemas de saúde, incluindo condições respiratórias. O enterro de Leide gerou grande comoção pública e protestos por temor de contaminação do solo.
Legado da tragédia
Dados da Associação das Vítimas do Césio 137 apontam que mais de cem pessoas morreram em decorrência do acidente. O caso é lembrado como um marco da segurança radiológica no país, com impactos sociais e de saúde pública ainda discutidos entre autoridades e cidadãos.
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