Na Páscoa, o consumo de doces ganha espaço no cotidiano, elevando o risco de cáries. Dados do Ministério da Saúde indicam que a cárie atinge cerca de 88% da população brasileira ao longo da vida, causada pela ação de bactérias que fermentam restos de alimento e liberam ácidos que desmineralizam o esmalte.
Para entender melhor o quadro, o dentista Cristiano Demartini, CEO da OdontoTop, ressalta que não basta apontar o açúcar como culpado. A rotina alimentar e os hábitos de higiene também definem o risco. Abaixo, ele lista os principais fatores associados.
Fatores que aumentam o risco
Intervalo entre as refeições: o consumo frequente de pequenas porções de açúcar reduz o pH da boca, criando ambiente ácido. O tempo de recuperação do esmalte fica mais curto à medida que a frequência aumenta.
Qualidade da escovação: escovação rápida ou de técnica inadequada não remove a placa bacteriana de forma eficaz. A linha da gengiva e os espaços entre os dentes costumam acumular resíduos, favorecendo as bactérias.
Textura dos alimentos: itens pegajosos como caramelos e chocolates cremosos aderem aos dentes por mais tempo, aumentando a exposição ao ácido dental.
Consumo combinado de açúcar e acidez: refrigerantes, sucos industrializados e alguns chocolates com recheio cítrico potencializam o desgaste do esmalte por combinar açúcar e acidez.
Carboidratos fermentáveis: pães, massas, bolos e biscoitos também alimentam as bactérias, gerando ácidos que atacam o esmalte, mesmo quando o sabor não é doce forte.
Saliva e hidratação: a saliva neutraliza ácidos e limpa a superfície, mas baixa ingestão de água, estresse e certos medicamentos reduzem sua produção, elevando o risco de cáries.
Segundo Demartini, a estratégia mais eficaz é organizar a rotina para reduzir danos. O consumo de chocolate deve ocorrer após as refeições principais, com maior produção de saliva, e a higiene bucal pós-refeição deve ser rigorosa, incluindo o uso de fio dental.
Por Davi Goulart
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