O território indígena Kayapó aparece como um dos principais pontos de atividade de garimpo ilegal na Amazônia brasileira, segundo o novo relatório do Monitoring of the Andes Amazon Program (MAAP). O estudo usa imagens de satélite para mapear o avanço da mineração na região do Xingu, no Pará.
Entre 2018 e 2024, cerca de 7.940 hectares de floresta na terra Kayapó foram derrubados para mineração, conforme o MAAP. Em 2025, a derrubada associada ao garimpo atingiu aproximadamente 140 hectares. A área faz parte do corredor do Xingu, uma bacia de mais de 51 milhões de hectares.
O Xingu, que corta Pará e Mato Grosso, abriga um dos mais intensos bombardeios de desmatamento por garimpo ilegal do país. Operações do governo em maio de 2025 tinham como alvo garimpeiros, com destruição de máquinas e acampamentos, e apreensões de ouro e substâncias controladas. Em junho, houve novo registro de desmatamento ilegal.
Entre outubro de 2025, a atividade de garimpo voltou a avançar na região, com mais 15 hectares de desmatamento constatados pelas imagens de satélite. Dados de 2018 a 2024 apontam destruição de cerca de 16.000 hectares de floresta na área, mais 400 hectares de garimpo em 2025, até setembro.
Implicações e áreas atingidas
O relatório destaca que o garimpo ilegal no Xingu não é um fenômeno isolado. A expansão envolve territórios indígenas e áreas protegidas, indicando uma rede de apoio que sustenta a operação, com impactos relevantes para comunidades locais e ecossistemas.
O uso de mercúrio na mineração contamina rios essenciais para abastecimento, banho e pesca. Estagnações de resíduos de mineração também representam riscos de saúde, com ocorrências de doenças transmitidas por mosquitos em regiões próximas. As bacias afetadas abrangem áreas de proteção ambiental e terras indígenas, incluindo Kayapó, Baú, Kuruaya, Trincheira Bacajá e Apyterewa.
Territórios afetados e próximos passos
No Baú, apenas em 2025, 10 hectares foram derrubados para garimpo. Em Kuruaya, satélite detectou 4 hectares adicionais de desmatamento. As informações de MAAP apontam para uma pressão contínua sobre áreas protegidas da região, demandando monitoramento e ações de fiscalização mais eficazes.
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