Assíria Macêdo, designer de cílios de 29 anos, conta como o vício em jogos online, incluindo o chamado jogo do tigrinho, devastou a vida da família. Em Fortaleza, ela publicou um vídeo nas redes sociais na última segunda-feira, relatando dívidas, perdas de patrimônio e pressão psicológica.
Segundo o relato, o impulso começou há cerca de quatro anos, motivado por promessas de ganhos rápidos. Inicialmente houve lucros significativos, o que incentivou novas apostas com todo o dinheiro disponível, inclusive a renda do trabalho.
Com o tempo, as dívidas se acumularam e houve conflitos familiares. O marido chegou a tentar quitar débitos, mas também se endividou. Os pais venderam imóveis para ajudar, e Assíria afirma ter perdido praticamente todos os bens.
A profissional de estética diz enfrentar crises de ansiedade, insônia e dificuldade para atender clientes em um estúdio montado em casa, vivendo sob cobrança constante. Ela admite mentir sobre a situação e continuar jogando, o que aprofundou o endividamento.
Contexto da ludopatia
A história destaca a dependência de jogos de azar, conhecida como ludopatia, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde desde 2018. O transtorno envolve dificuldade em controlar o impulso de jogar, mesmo diante de prejuízos.
Especialistas apontam que o tratamento requer reorganização mental, apoio psicológico, participação em grupos e, em casos, uso de medicação. Em situações mais graves, pode haver necessidade de internação.
Assíria afirma ter plena consciência da dependência e expressa arrependimento. Ela busca acesso a tratamento público, apoio financeiro e oportunidades de emprego para sustentar as filhas e os pais.
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