O neurocientista e psicólogo Ricardo Caiado iniciou o atendimento a Jair Bolsonaro em abril do ano passado, na penitenciária da Papudinha, em Brasília. O objetivo era melhorar o sono, reduzir a ansiedade e controlar crises de soluços que o ex-presidente enfrentava.
A técnica empregada, neuromodulação, utiliza estímulos elétricos para regular a atividade do sistema nervoso. Com um equipamento portátil, o médico observa o cérebro por meio de clipes nas orelhas e realiza intervenções para equilibrar o funcionamento neural.
No início, Caiado identificou hiperatividade do sistema nervoso autônomo simpático no paciente. Segundo ele, o “carro” do organismo estava com acelerador em 90 e freio em 20, resultando em pouca recuperação e relaxamento ausente.
Após várias sessões, o tratamento combinado a exercícios de respiração, atividades físicas e alimentação favoreceu um balanço autonômico. Bolsonaro passou a ter sono mais duradouro, humor estável, relaxamento e menos crises de soluços.
A mudança para o regime de prisão domiciliar foi apontada pelo neurocientista como determinante para a evolução clínica. Caiado afirmou que o ambiente familiar oferece acolhimento, companhia e apoio que ajudam na terapia.
O especialista ressaltou aspectos da personalidade do ex-presidente que favorecem o tratamento, destacando elevada resiliência e força mental. Ele destacou que ataques à família podem desencadear reações intensas.
Parentes de Bolsonaro não foram solicitados a comentar o tratamento. Caiado é primo de segundo grau do ex-governador Ronaldo Caiado, atualmente candidato à presidência pelo PSD.
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