O medicamento Mounjaro não funciona da mesma forma para todos os pacientes. Pesquisas apontam que fatores metabólicos, hormonais, comportamentais e de estilo de vida influenciam o resultado no emagrecimento. A resposta varia conforme o perfil alimentar e a relação de cada pessoa com a comida.
O texto destaca que o Mounjaro atua em múltiplos mecanismos: saciedade, redução do apetite, melhoria do controle glicêmico e, em alguns casos, modulação do comportamento alimentar. Mesmo assim, não é uma solução universal.
Existe um grupo de pacientes, chamados não respondedores, que perde menos de 5% do peso entre 8 e 12 semanas de uso. Nesses casos, manter a mesma estratégia pode indicar desalinhamento terapêutico e necessidade de recalibração. A leitura clínica é essencial.
Diversos fatores podem interferir na resposta ao emagrecimento, como resistência à insulina, síndrome dos ovários policísticos, disfunções tireoidianas e diabetes tipo 2 associadas à menor perda de peso. Distúrbios do sono e alterações do eixo do estresse também impactam.
Educação sobre transtornos alimentares é crucial. Transtorno de compulsão alimentar, bulimia e episódios de perda de controle devem ser avaliados antes de confirmar a eficácia de qualquer tratamento. O acompanhamento multidisciplinar é recomendado.
A mudança de estilo de vida faz parte de qualquer processo de emagrecimento, independentemente de medicações. Alimentação, sono e atividade física podem, em média, gerar 6% a 8% de perda de peso. Em obesidade, perdas maiores, entre 15% e 20%, costumam trazer benefícios clínicos mais amplos.
O texto ressalta que o Mounjaro representa avanço importante para saúde cardíaca, glicêmica e metabólica, com impactos em esteatose hepática e até em condições como lipedema. Contudo, não deve ser visto como solução isolada nem como ponto de partida automático.
A escolha terapêutica deve considerar critério clínico e estratégia personalizada. O que funciona para muitos pode não funcionar para cada indivíduo, exigindo avaliação cuidadosa e ajuste do tratamento.
Bruna Martins Liberali é endocrinologista dos hospitais Israelita Albert Einstein e Ipiranga.
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