O estudo, divulgado pela revista Pediatrics, avaliou o impacto de diferentes tipos de tela no desenvolvimento de sintomas de desatenção em crianças. Foram acompanhadas 8.324 crianças ao longo de quatro anos, com idade média de quase 10 anos. O objetivo foi verificar se redes sociais, televisão/vídeos ou videogames influenciam esse marcador, mesmo em crianças sem TDAH.
Os dados mostraram que o uso elevado de redes sociais está associado ao aumento de sintomas de desatenção ao longo do tempo. Já atividades como assistir televisão, vídeos ou jogar videogame não apresentaram o mesmo padrão de relação com esses sintomas. A pesquisa destaca que o conteúdo pode importar tanto quanto o tempo de uso.
O que foi observado
A amostra tinha 53% de meninos e 47% de meninas. As médias de tempo diário foram: televisão/vídeos, 2,3 horas; redes sociais, 1,4 hora; videogames, 1,5 hora. Os pesquisadores analisaram esses hábitos e acompanharam as crianças por quatro anos.
Resultados principais
O estudo reforça que o uso alto de redes sociais aumenta, de forma consistente, a presença de sinais de desatenção. O efeito é específico para redes sociais e não aparece de modo semelhante nos grupos que assistem TV/vídeos ou jogam videogame.
Limitações e interpretações
Especialistas ressaltam que o transtorno de TDAH é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, neurológicos e ambientais. O estudo não demonstra causalidade, e o efeito observado é pequeno no nível individual. Ainda assim, o conjunto de dados sugere que o tipo de uso pode modular sintomas em cérebros vulneráveis.
Perspectivas clínicas
Pesquisas indicam que o conteúdo das telas deve ser considerado na avaliação de desatenção em crianças. Profissionais ressaltam que redes sociais podem atuar como fator de risco modificável, sem implicar que o uso cause TDAH diretamente.
Considerações sobre diagnóstico
Para fechar o diagnóstico de TDAH, médicos avaliam a persistência dos sintomas, o impacto funcional e a presença em diferentes ambientes. O estudo não sugere que as redes sociais causem o transtorno, mas aponta para uma relação que merece atenção na prática clínica.
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