A arritmia silenciosa pode passar despercebida e aumentar o risco de AVC, insuficiência cardíaca e morte súbita. A maioria das arritmias é benigna, mas uma parcela exige investigação clínica para identificar cardiopatia estrutural associada, que eleva o risco.
Sinais podem ser inespecíficos: sensação de falha no peito, cansaço, falta de ar com esforço, dor torácica, pulso irregular, tontura ou desmaio. Por isso, a avaliação inicial é crucial, com história clínica, exame físico e exames básicos. O diagnóstico definitivo pode depender de monitores de longa duração.
Observação clínica e diagnóstico
Relógios com ECG permitem registrar o traçado cardíaco e enviar ao médico, com opção de gravação automática. O monitor de eventos implantável monitora o coração por 3 a 5 anos e é minimamente invasivo. Versões não invasivas reduzem custos, mas exigem manejo adequado pelo paciente para evitar falsos positivos.
Fibrilação atrial e risco de AVC
A fibrilação atrial é uma das arritmias silenciosas mais comuns, com prevalência crescente com a idade. Fatores como hipertensão, obesidade e apneia do sono aumentam o risco. Até 40% dos pacientes podem não apresentar sintomas, porém a FA está ligada a maior incidência de AVC, respondendo por até 23% dos AVCs de etiologia não elucidada.
Síncope e monitorização
A síncope pode sinalizar risco de morte súbita em doenças elétricas cardíacas ou cardiopatias estruturais. Mesmo com avaliação clínica, o diagnóstico pode não ficar claro. Nesse cenário, o monitor de eventos implantável facilita o diagnóstico de arritmias assintomáticas e registra ECG durante sintomas.
Importância da monitorização de longo prazo
Avaliações clínicas periódicas ajudam a detectar arritmias silenciosas e indicar tratamento. Monitores de longa duração permitem identificar arritmias paroxísticas e assintomáticas, contribuindo para prevenir danos permanentes.
** Carlos Rassi é coordenador da Cardiologia do Sírio-Libanês, em Brasília
** José Mário Baggio Junior é cardiologista especialista em arritmias cardíacas e estimulação cardíaca artificial do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília
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