A Anvisa suspendeu na segunda-feira (27/04) a venda e uso de medicamentos à base de clobutinol no Brasil. A medida impede a comercialização, fabricação, importação, manipulação, propaganda, distribuição e uso dos produtos com a substância no país. A decisão foi motivada pela necessidade de evitar riscos graves à saúde.
A farmacovigilância da Anvisa concluiu que os riscos associados ao clobutinol superam seus benefícios terapêuticos. O principal problema identificado é o prolongamento do intervalo QT, que pode favorecer arritmias potencialmente fatais. Diante da gravidade, a suspensão total foi considerada justificada.
O clobutinol é um antitussígeno de ação central, que inibe o reflexo da tosse no sistema nervoso. Embora tenha sido amplamente utilizado no passado, o uso indiscriminado em xaropes comuns aumenta a preocupação com efeitos adversos graves, principalmente cardíacos.
Contexto internacional
A decisão brasileira acompanha uma tendência mundial. Em 2007, a Agência Europeia de Medicamentos iniciou uma revisão após a retirada na Alemanha, vinculada a dados que associavam o clobutinol ao QT prolongado, incluindo em voluntários saudáveis. O comitê científico avaliou que o risco superava o benefício e recomendou a retirada na União Europeia.
Na época, a fabricante Boehringer Ingelheim retirou voluntariamente seus produtos com clobutinol de diversos mercados, o que contribuiu para a redução global do uso da substância. Relatórios de organizações internacionais citam o clobutinol entre substâncias com restrições ou proibições em diferentes países.
Nos Estados Unidos, a situação é menos direta. Não houve anúncio público claro de uma proibição equivalente. Registros da FDA indicam que o produto está descontinuado, sem versões genéricas disponíveis, o que, na prática, impede a sua comercialização no país.
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