O número de denúncias de imagens de abuso sexual infantil geradas por IA aumentou 154% em um ano, somando 491 casos em 2025 ante 193 em 2024. A informação é do Internet Watch Foundation (IWF), órgão que monitora conteúdos ilegais na internet.
Para analistas da IWF, o salto não é apenas numérico: sinaliza avanço rápido das ferramentas de IA. O relatório aponta produção rápida e realista de conteúdos falsos a partir de comandos simples ou de manipulação de imagens existentes.
Além disso, o material em vídeo também cresceu. Em 2025 foram identificados 3.443 vídeos desse tipo, frente a 13 em 2024, indicando maior acessibilidade e facilidade de uso da tecnologia.
Circulação e alcance
O conteúdo se espalha por canais cada vez mais diversos: dark web, sites comuns e até anúncios em redes sociais. Em muitos casos, a distribuição ocorre de forma mais ampla do que em anos anteriores.
Gravidade e impacto
Quase metade dos registros classificados como criminosos ficou na categoria C, que envolve imagens sexualizadas de crianças sem violência explícita, mas há presença de conteúdos mais extremos. O relatório destaca risco de reforço de ciclos de exploração.
A IWF afirma que o impacto vai além do ambiente digital, representando risco significativo e crescente. Conteúdos gerados por IA podem afetar vítimas reais e perpetuar práticas de exploração.
Contexto regulatório
No Reino Unido, a Lei de Segurança Online exige remoção de esse tipo de conteúdo, ainda com críticas sobre efetividade. No Brasil, iniciativas como o ECA Digital ampliam a responsabilidade das plataformas, mas a aplicação prática ainda é incipiente.
A organização recomenda que empresas de tecnologia incorporem mecanismos de segurança já no desenvolvimento de produtos, antes de serem lançados.
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