O arquiteto japonês Shigeru Ban desenvolveu uma habitação de emergência construída com tubos de papelão reciclado, batizada de Paper Log House. Em Kobe, Japão, após o terremoto de 1995, a primeira unidade de 4×4 metros foi criada com custo total de cerca de US$ 2.000. A estrutura combina impermeabilização e resistência ao fogo.
A ideia surgiu diante do Grande Terremoto de Hanshin-Awaji, que deixou centenas de milhares de desabrigados. Ban inaugurou um projeto que permite montagem rápida, com materiais simples, para atender comunidades atingidas por desastres em todo o mundo.
A Paper Log House é concebida para ser montada por voluntários e estudantes sem formação especializada, em cooperação com as comunidades afetadas. Uma unidade pode ficar pronta em menos de um dia, diante da necessidade de resposta rápida.
Como o papelão virou material de construção estrutural
Os tubos de papelão passam por um tratamento que os torna impermeáveis e resistentes ao fogo. Mantêm leveza sem abrir mão da capacidade de suportar cargas e impactos, incluindo vibrações de tremores. A combinação é o diferencial para zonas sísmicas.
Ban começou a experimentar com papelão já em 1985, quando fundou o Shigeru Ban Architects. A técnica busca substituir materiais convencionais, reduzindo custos e aumentando a mobilidade de abrigos emergenciais.
Onde a Paper Log House já foi aplicada
Desde 1995, a ONG Voluntary Architects’ Network (VAN) abriu projetos em diversos países. Japão, Turquia, Índia, Haiti, Síria, Turquia/Síria, e Marrocos estão entre os principais locais de implantação.
No Japão, Kobe foi o marco inicial após o terremoto de Hanshin-Awaji. Na Turquia, o desastre de İzmit também recebeu abrigos de papelão. Em 2010, o Haiti recebeu unidades após o forte terremoto que afetou o país.
Durabilidade e reconhecimento
Ban afirma que estruturas de papelão podem ter longevidade superior ao esperado, quando bem utilizadas. A Catedral de Papelão, erguida em Christchurch, Nova Zelândia, após o terremoto de 2011, foi concebida para durar ao menos 50 anos.
As unidades são projetadas para desmontagem e reciclagem ao fim do uso, fechando o ciclo do papelão como material construtivo. Em 2014, Ban recebeu o Prêmio Pritzker por sua contribuição humanitária à arquitetura.
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