Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo investiga a contaminação passiva por agrotóxicos entre agricultores em assentamentos rurais no Pontal do Paranapanema, oeste de São Paulo. O estudo aponta que contradições institucionais, econômicas e políticas ajudam a manter o problema.
O objetivo foi entender quem está envolvido, como ocorre a contaminação e quais são os impactos na vida dos trabalhadores. Entrevistas com órgãos públicos e moradores foram realizadas, mas a usina regional se recusou a participar, levando o foco da pesquisa para as ações de resistência dos agricultores.
A pesquisa é liderada por Fábio Nogueira de Vasconcelos, que atua na linha de saúde do trabalhador. O território do Pontal do Paranapanema tem histórico de disputa agrária, desmatamento e conflitos sociais, características que influenciam o contexto da contaminação.
Estratégias de resistência
Os agricultores da região adotam alterações na produção, uso de sombrite para proteger as hortaliças e até uma ação judicial contra a usina, que comprovou a contaminação. A empresa tem forte influência local, com grande número de empregados, o que gera pressão econômica e dificultam a transparência.
O poder público é apontado como inerte diante do conflito, com fiscalização considerada ineficiente e medidas institucionais pouco efetivas. Segundo o pesquisador, essa inércia contribui para a permanência do problema.
Intervenções para educar
A tese defende intervenções educativas para oferecer ferramentas aos agricultores. Ensinar o manuseio seguro de produtos químicos e alternativas para quem não utiliza agrotóxicos seria fundamental para a mudança de comportamento. O diálogo com a usina é visto como difícil, mas ainda considerado importante para evidenciar os impactos sociais do uso de agrotóxicos.
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