Ben Underwood ficou conhecido por uma habilidade rara: enxergar usando o som. Cego na infância, ele desenvolveu a ecolocalização com estalos da língua para mapear o entorno.
O jovem morava na Califórnia e perdeu os olhos aos 3 anos por câncer na retina, ficando sem visão. Mesmo assim, aprendeu a reconhecer objetos, paredes e obstáculos pelo retorno dos sons.
A técnica, semelhante ao sonar de morcegos, permitia construir um mapa sonoro do ambiente ao caminhar, com variações de intensidade, distância e direção que indicavam o que havia ao redor.
Como Ben via usando o som
Ao andar, ele emitia estalos que chegavam aos ouvidos com detalhes distintos de cada objeto. A distância e a direção do eco ajudavam a identificar árvores, carros e paredes sem tocar neles.
Segundo especialistas, a ecolocalização é comum em animais, mas extremamente rara em humanos. O cérebro pode se reorganizar para processar estímulos sonoros e táteis quando a visão não está disponível.
Autonomia e conquistas
A família destacou o incentivo à independência desde cedo. A mãe não tratava o filho como alguém limitado e estimulava o uso de outros sentidos para entender o espaço.
Ben passou a andar de bicicleta, jogar basquete e videogames, além de percorrer ruas identificando obstáculos apenas pelo som de retorno. Sua história é vista como exemplo de adaptação humana.
O câncer voltou durante a adolescência, levando o jovem a retomar quimioterapia. Mesmo diante do tratamento, ele manteve curiosidade sobre o futuro e a capacidade do cérebro de se adaptar.
Ben Underwood faleceu em 2009, aos 16 anos. A memória dele é lembrada pela demonstração de plasticidade cerebral e pela percepção de que limitações físicas não impedem a exploração plena do mundo.
Entre na conversa da comunidade