O tema em pauta envolve como a autonomia anunciada de veículos elétricos varia conforme a métrica de teste. WLTP, EPA e INMETRO definem diferentes padrões, o que explica a disparidade entre números divulgados na Europa, EUA e Brasil. A diferença não é erro de cálculo, mas escolha metodológica.
A análise destaca que o WLTP, adotado na Europa, busca equilíbrio entre cidade e estrada, com simulações mais realistas que o NEDC, mas ainda tende a superestimar a autonomia. A EPA, nos EUA, aplica cenários de climatização (HVAC) em cinco situações, o que torna o teste mais rigoroso. O INMETRO, por sua vez, aplica um fator fixo de 0,7 sobre os resultados globais para reduzir a autonomia aparente.
Como cada métrica funciona
O WLTP envolve cerca de 30 minutos de teste, 23 km em dinamômetro, com velocidade média de 46,5 km/h. A divisão entre urbano e rodoviário é 52% e 48%, respectivamente, e a autonomia costuma ser 10% a 15% menor na prática quando recursos como ar condicionado operam.
A EPA utiliza o mesmo tipo de dinamômetro, mas inclui cinco cenários de HVAC, simulando urbano, rodovia, alta velocidade, calor extremo e frio intenso. Esses cenários pesam na autonomia final e tendem a reduzir bastante a diferença entre regiões.
INMETRO e o padrão brasileiro
O PBEV do INMETRO é conservador para evitar que o consumidor se decepcione. O órgão usa o ciclo da EPA ou WLTP como base e aplica o fator de 0,7, resultando em números mais baixos. Na prática, motoristas brasileiros podem superar a autonomia anunciada pelo INMETRO.
Comparação prática
Um SUV elétrico médio, com bateria de 75 kWh, pode ter autonomia estimada de 600 km pelo CLTC, 500 km pelo WLTP, 420 km pela EPA e 350 km pelo INMETRO, conforme cada metodologia. Os quatro padrões funcionam, mas utilizam premissas distintas, e não é adequado comparar números entre eles sem ajuste.
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