O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a polêmica em torno da contaminação por uma bactéria em detergentes da marca Ypê não deve ter leitura político-partidária. A intervenção sanitária envolveu órgãos de três níveis do poder público.
Padilha destacou que a irregularidade foi detectada por técnicos da Anvisa, com a vigilância sanitária paulista e a prefeitura de Amparo, demonstrando atuação conjunta de diferentes administrações. A decisão de suspender a venda partiu da agência.
O ministro lembrou que a área responsável pela suspensão pertence à Anvisa e que o diretor envolvido na decisão foi indicado pelo governo anterior, o que desmonta leituras de perseguição política. O objetivo é evitar risco à saúde.
A fala ocorreu após acusações de políticos bolsonaristas de que a Ypê estaria sendo prejudicada por motivos políticos, em especial ligações com doações a campanhas de 2022. O episódio desencadeou desde memes até vídeos de suposta contaminação.
Segundo fontes, empresários ligados à Ypê teriam doado cerca de 1,5 milhão de reais à campanha de Jair Bolsonaro. A acusação tem como alvo possível favorecimento à concorrente Minuano, controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista.
A orientação de Padilha é clara: não usar produtos com o lote final 9, enquanto a Anvisa mantém suspensão e orienta o recolhimento e eventual ressarcimento aos consumidores, conforme decisão final apresentada.
O ministro comparou o clima com episódios da pandemia de Covid-19, ao lembrar críticas a vacinas e a defesa de terapias sem eficácia. Padilha citou apoiadores de Bolsonaro, que chegaram a postar conteúdos envolvendo o uso do detergente proibido.
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