Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Gestar, parir e sobreviver: desafios da saúde materna em debate

Indígenas entre as mais afetadas pela mortalidade materna no Brasil; 92% das mortes são evitáveis e pedem pré-natal cultural e respeito aos cuidados

Txai Suruí
0:00
Carregando...
0:00

Mulheres indígenas estão entre os grupos mais atingidos pelas desigualdades no acesso à saúde materna no Brasil. A segunda edição do Manual para Promoção da Saúde Materna, elaborado pelo Conselho Nacional do Ministério Público com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, aponta que 92% das mortes maternas são evitáveis. A meta é reduzir para menos de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030, conforme a Agenda 2030 da ONU.

O documento destaca que as mulheres negras e indígenas são as mais vulneráveis. Regiões Norte e Nordeste apresentam mortalidade materna acima da média nacional, resultado de desigualdades raciais, territoriais e de acesso aos serviços de saúde. Durante a Covid-19, o Brasil registrou uma alta taxa de mortalidade materna não vista há 20 anos, com 8 das 10 mortes maternas nas Américas ocorrendo no país no primeiro ano da pandemia.

A violência obstétrica contra indígenas dentro de hospitais também é citada, com relatos de preconceitos e impactos na gestação. Pesquisas indicam que mulheres indígenas têm maior probabilidade de sofrer episiotomia sem consentimento e de ver recusada a presença de acompanhantes tradicionais durante o parto, em comparação com gestantes não indígenas.

Para os povos indígenas, gestar é visto como um processo sagrado que conecta nascimento, cosmologia e autonomia corporal. O texto ressalta a necessidade de um pré-natal que respeite a cultura, com parto respeitoso e puerpério acompanhado, além de cuidados integrados. A Declaração da ONU sobre Direitos dos Povos Indígenas assegura direito aos cuidados de parto e às medicinas tradicionais, exigindo saúde culturalmente adequada.

O documento aponta que o cuidado à maternidade indígena precisa virar política pública, com escuta ativa e interculturalidade para combater a violência obstétrica. O objetivo é que o renascer de uma mulher ao dar à luz seja livre de medo, dor e discriminação, fortalecendo direitos étnico-raciais e assegurando que nenhuma mãe morra ou adoente pela própria identidade.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais