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Entidades lançam manifesto por mais rigor na venda de colírios por glaucoma

Entidades lançam manifesto por mais rigor na venda de colírios com corticoide, diante do risco de elevação da pressão intraocular e cegueira

Risco: estudos apontam que 30% a 40% das pessoas que fazem uso indiscriminado de corticosteroides em colírios ou pomadas oftálmicas apresentam algum grau de elevação da pressão intraocular (Foto: Jonathan Knowles/Getty Images)
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Em nota conjunta, três entidades brasileiras da ophthalmologia lançaram um manifesto para reduzir o uso indiscriminado de corticosteroides em colírios, pomadas e outros instrumentos oftálmicos. O objetivo é evitar elevação da pressão intraocular e o glaucoma, que pode levar à cegueira irreversível. O documento foi divulgado nesta quinta-feira, 21, em Brasília.

As entidades envolvidas são o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SGB) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP). O texto será encaminhado à Anvisa, ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a outras entidades médicas para reforçar a necessidade de prescrição médica e controle mais rígido na venda.

O manifesto destaca lacuna regulatória que facilita a automedicação com corticoides. Segundo as entidades, é essencial um fluxo de monitoramento da pressão intraocular em pacientes que utilizam esses medicamentos por períodos prolongados, especialmente crianças e pessoas com histórico familiar de glaucoma.

Dados citados apontam que 30% a 40% dos usuários de corticosteroides em colírios ou pomadas apresentam aumento da pressão intraocular. O grupo alerta que esse risco é maior em uso prolongado e que pode ocorrer mesmo sem sintomas evidentes.

A campanha associada, intitulada “24 Horas pelo Glaucoma”, visa diagnóstico precoce e conscientização sobre a doença, cuja ausência de tratamento pode evoluir para cegueira. Estima-se que 1,7 milhão de brasileiros convivam com glaucoma, com metade ainda não diagnosticada.

Profissionais da área destacam o papel de orientar pacientes, principalmente crianças, sobre uso seguro. Em declarações, a SBOP sinaliza que medicamentos corticoides, quando usados sem acompanhamento, podem alterar o funcionamento ocular e dificultar a drenagem do líquido intraocular.

Especialistas salientam que não é objetivo restringir tratamentos necessários, mas assegurar que haja supervisão médica. A SGB reforça a necessidade de encaminhar pacientes para avaliação oftalmológica, especialmente aqueles que fazem uso prolongado fora da área de atuação oftalmológica.

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