Ontos levantaram preocupações sobre o plano de instalar uma usina nuclear perto de Sakwa, no sudeste do Quênia, às margens do Lago Vitória. No dia 21 de maio, moradores da região se reuniram para protestar contra a iniciativa do governo.
Sakwa fica no condado de Siaya e abriga a etnia Luo, ao longo do maior lago de água doce da África. A proposta prevê uma usina de 2.000 megawatts, anunciada pelo presidente William Ruto em março de 2026, durante a Conferência Internacional de Energia Nuclear.
Segundo o governo, a construção começaria no próximo ano e a usina entraria em operação por volta de 2034. Não há informações disponíveis no site da NuPEA, a agência reguladora de energia nuclear do país.
Petição e preocupações
Uma petição lançada em abril reuniu mais de 400 assinaturas e foi entregue à NuPEA e ao governador do condado. Os signatários expressam temores sobre o manejo de resíduos radioativos, além do risco de desapropriação de terras ancestrais e deslocamento de moradores.
O documento destaca que o reassentamento poderia fragmentar posse de terras entre famílias, provocar disputas por compensação e evidenciar desafios históricos de gestão no Quênia. A proposta também preocupa comunidades pesqueiras locais.
Outra preocupação envolve o ecossistema do Lago Vitória, já sensível a mudanças climáticas e espécies invasoras. Pesca local é fonte de alimento e renda, com produção anual superior a 800 mil toneladas, que poderia ser afetada por vazamentos ou descarte térmico de uma usina nuclear.
Especialistas apontam que a presença de uma instalação nuclear perto de um ecossistema tão vulnerável exige avaliação rigorosa de impactos ambientais e social, com transparência e participação comunitária.
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