Um fóssil brasileiro contrabandeado para a Alemanha há mais de 30 anos está próximo de retornar ao Brasil. Trata-se do crânio quase completo do dinossauro Irritator challengeri, coletado no Ceará, na Chapada do Araripe, e enviado clandestinamente à Europa.
O crânio foi vendido a um museu alemão em 1991 e descrito oficialmente em 1996. Cientistas brasileiros defendem a devolução há décadas; a mobilização ganhou impulso após o caso do Ubirajara jubatus retornar ao Brasil, em 2020.
Durante a visita de Lula à Alemanha, em abril, autoridades dos dois países divulgaram uma declaração conjunta sobre a devolução. Ainda não há data definida para o retorno ao Ceará.
Histórico do caso e posição das partes
O Irritator challengeri é um espinossaurídeo carnívoro de cerca de 6,5 metros. Embora partes tenham sido adulteradas, o crânio continua entre os mais completos de seu grupo, motivo da relevância científica.
O órgão alemão responsável pela peça afirma ter adquirido o fóssil de um comerciante alemão, contestando irregularidades de procedência. Mesmo assim, manifestou disposição à devolução por seu valor científico para o Brasil.
A UFRN, por meio da paleontóloga Aline Ghilardi, lidera a campanha pela volta do fóssil. Ativistas, juristas e cientistas já somam apoio público por meio de cartas abertas e petições que ultrapassaram 34 mil assinaturas.
O Ceará prepara-se para receber o exemplar de ancestralidade brasileira. O museu Plácido Cidade das Nuvens, em Santana do Cariri, que já abriga o Ubirajara, também se organiza para receber o Irritator.
Contexto legal e desdobramentos
No Brasil, fósseis são propriedade da União, conforme a Constituição. Leis de 1942 e decretos de 1990 regulam a exportação de fósseis de interesse nacional, exigindo autorização de órgãos federais.
A imprensa aponta que a devolução pode fortalecer cooperação científica entre Brasil e Alemanha. As autoridades alemãs destacam importância do fóssil para ambos os lados, mantendo o objetivo de retomá-lo ao Brasil.
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