Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Profissionais de saúde vencem desafios para vacinação em área indígena

Vacinação itinerante em 11 aldeias de povos indígenas enfrenta desafios logísticos, respeito às culturas locais e conservação de vacinas para alcançar comunidades remotas

Curso de vacinação em áreas indígenas. Foto: Kislane de Araújo Dias/Arquivo Pessoal
0:00
Carregando...
0:00

Na área atendida pelo DSEI Alto Rio Purus, unidade descentralizada do SUS, vivem 11 mil pessoas de povos indígenas como Apurinã, Jamamadi, Jaminawa, Kaxarari, Kaxinawá / Huni Kuin, Madiha / Kulina e Manchineri. São 155 aldeias, com comunidades entre 30 e 300 habitantes, onde a comunicação ocorre em três troncos linguísticos e no português.

A vacinação enfrenta desafios logísticos e culturais. O acesso às aldeias varia conforme a via de transporte: camionete, barco, quadriciclo, canoas, botes ou helicóptero, dependendo das condições climáticas. O atendimento é descentralizado, respeitando crenças e práticas de cada etnia.

Desafios da organização

Evangelista Apurinã, coordenador do DSEI, destaca que não é possível impor ritmo de vacinação aos Madijá e Kulina, exigindo negociação. A logística envolve visitas a locais centrais na aldeia ou atendimento casa a casa, com busca ativa de faltosos. Grupos Jamamadi organizam-se por clãs, o que pode influenciar acordos com líderes.

A coordenadora enfatiza que compreender a estrutura social de cada povo é essencial para evitar falhas na implementação da vacinação, uma das principais estratégias de saúde pública.

Logística e estrutura de atendimento

Apesar das dificuldades, a atuação itinerante persiste: cada região mantém um polo base, a partir do qual as equipes percorrerem até 40 dias em campo. A conservação das vacinas exige refrigeração entre 2°C e 8°C, com freezer em barcos, caixas térmicas e gelo para manter a qualidade.

Kislane de Araújo Dias, enfermeira responsável técnica pela imunização no DSEI, coordena o censo vacinal — uma planilha que orienta quais doses serão utilizadas em cada incursão. As equipes planejam locais de atendimento e, se necessário, vão de casa em casa para alcançar os atendidos.

Capacitação e comunicação com as comunidades

Evelin Plácido, enfermeira e facilitadora da CapacitaImune, ressalta que a vacinação em territórios indígenas requer levar as vacinas até as pessoas. O curso, realizado em Rio Branco, abordou normas técnicas, armazenamento, aplicação e descarte de frascos, além de aspectos imunológicos e efeitos adversos, para facilitar o entendimento da população.

Kislane afirma a importância de rodas de conversa para explicar que a imunização confere proteção contra doenças, enfatizando o papel das equipes de saúde na comunicação com as comunidades.

apoio institucional e experiências

A MSD oferece quatro vacinas ao PNI: HPV, Hepatite A, Varicela e Pneumo-23, fortalecendo a capacitação de profissionais que atuam em áreas isoladas. A gerente médica Aline Okuma destaca que a capacitação busca harmonizar práticas entre equipes urbanas e remotas.

O programa também envolve atualização constante do calendário vacinal, que já inclui novas vacinas para dengue e vírus respiratório sincicial. Grupos vulneráveis, como povos indígenas, permanecem com esquemas diferenciados, incluindo vacinação anual contra influenza e covid-19, independentemente da idade.

Lições de 2024

Em 2024, durante a seca que dificultou a navegação na região amazônica, houve surto de influenza em uma aldeia, com duas mortes de crianças. Houve mobilização federal e estadual para antecipar a vacinação contra influenza, com uso de vias aéreas e deslocamento de profissionais de outros polos para proteger a comunidade.

Reflexões finais

Natália Diniz, participante do curso em Rio Branco, ressalta a importância de respeitar a autonomia das famílias e o tempo de cada casa. O objetivo é oferecer oportunidades de saúde de forma respeitosa, mantendo a dignidade das comunidades durante as ações de imunização.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais