O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP desenvolveu o Tele-UTI Obstétrica, um modelo que utiliza telemedicina para enfrentar emergências obstétricas graves. A iniciativa foi implantada em hospitais de referência do SUS e envolve capacitação, teleconsultas e acompanhamento remoto de casos complexos.
A arquitetura do projeto contou com a parceria entre o HC/USP e o Ministério da Saúde. Ao todo, 25 hospitais brasileiros passaram a adotar o protocolo, que conectou equipes de obstetrícia a especialistas de UTIs, ampliando o suporte técnico durante internações críticas.
O objetivo era enfrentar o aumento de mortalidade materna observado durante a pandemia de covid-19, quando pacientes gravemente enfermas exigiam atendimento especializado nem sempre disponível localmente. O sistema passou a atuar também em condições como hemorragias, hipertensão e sepse.
Resultados
A avaliação, publicada na BMJ Global Health, aponta queda de cerca de 45% nas mortes de gestantes e puérperas nos hospitais participantes. A comparação levou em conta dados de 16 hospitais antes e depois da implementação entre 2022 e 2024.
Segundo os pesquisadores, a redução está associada à capacitação contínua das equipes e ao monitoramento remoto de casos graves. O estudo também considera contribuições da telemedicina para manejo de emergências fora do repertório exclusivo da covid-19.
O modelo não se restringiu apenas ao tratamento de coronavírus; passou a contemplar rotinas obstétricas críticas, ampliando a capacidade de resposta em distintos cenários clínicos. A experiência sugere que soluções de baixo custo, aliadas à formação profissional, geram impactos relevantes.
Com a publicação internacional, o Tele-UTI Obstétrica do HC-USP passa a servir como referência para outros países com desafios semelhantes na assistência materna, indicando potencial de escalonamento e adaptação regional.
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