A diálise, tratamento essencial para a doença renal crônica, volta ao debate público como uma conquista médica e um direito de acesso. Dados indicam que cerca de 1 em cada 10 pessoas no mundo convive com algum grau da condição, e no estágio mais grave a diálise ou o transplante podem salvar vidas. No Brasil, a diálise é reconhecida como direito, mas o sistema enfrenta gargalos.
Historicamente, a diálise era restrita e havia critérios de acesso que suscitavam debates éticos. Nos anos 1960, sistemas de filas e decisões sobre quem receberia tratamento geraram controvérsias e críticas, destacadas pela imprensa da época. A evolução tecnológica ampliou a disponibilidade e consolidou a diálise como opção padrão de cuidado.
Hoje, há uma contradição: mais de mil pessoas permanecem internadas aguardando vagas em clínicas de diálise, não por indicação clínica, mas por falta de vagas. A desigualdade regional é evidente: no Norte e Nordeste a presença de pacientes em diálise é menor do que no Sul e Sudeste, refletindo limitações de acesso.
A insuficiência de vagas é acompanhada por atrasos e abortos de tratamento, o que agrava o sofrimento de pacientes com doença renal crônica avançada. Especialistas ressaltam a necessidade de ampliar a oferta de vagas, fortalecer a diálise peritoneal, incentivar o transplante renal e investir em prevenção e diagnóstico precoce.
Além disso, há um foco no financiamento da terapia renal substitutiva e na criação de políticas que reduzam as desigualdades regionais. A coordenação entre atenção básica, serviços especializados e custos é apontada como crucial para ampliar o atendimento de forma equitativa.
José A. Moura Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, destaca a diálise como uma conquista médica que salvaguarda a vida de muitos pacientes. A reportagem aponta que o tema exige atuação pública, com metas claras para ampliar disponibilidade e reduzir filas.
Fonte: Sociedade Brasileira de Nefrologia.
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