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Hora de parar de romantizar o uso e abuso de anabolizantes

Falecimento de fisiculturista de vinte e dois anos amplia alerta sobre uso de hormônios anabolizantes e riscos de cardiomiopatia e morte súbita

Foto do autor Luís Fernando Correia
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Gabriel Ganley, fisiculturista brasileiro, morreu aos 22 anos no último sábado. A família informou que, em agosto de 2025, ele publicou um vídeo anunciando a decisão de seguir como atleta na categoria principal e iniciar um protocolo de “hormonização”.

Em vídeos públicos, Ganley citou quatro hormônios usados em conjunto: enantato de testosterona, mesterolona, decanoato de nandrolona e trembolona. Também relatou uso de insulina como hormônio, ainda sem diagnóstico de diabetes.

Um estudo do European Heart Journal acompanhou 20 mil fisiculturistas de 2005 a 2020 e registrou 121 mortes. Ao autópsia, muitos jovens apresentaram coração dilatado, espessamento das paredes e artérias entupidas, semelhante ao de pessoas mais velhas.

O mecanismo no coração é bem definido quando há doses altas: aumenta o estresse oxidativo, desregula a pressão arterial via a cascata renina-angiotensina e dispara apoptose celular cardíaca, levando à morte das células.

Esses efeitos, comprovados em laboratório, já foram associados a testosterona e nandrolona em altas quantidades. A literatura forense descreve hipertrofia cardíaca, fibrose, aterosclerose precoce e arritmias entre usuários.

Segundo o atestado de óbito, Ganley teve morte súbita cardíaca causada por cardiomiopatia hipertrófica. O quadro envolve espessamento ventricular e fibrose que favorecem arritmias fatais.

O alerta é claro: não existe prática segura de uso de anabolizantes. Em vez de suprimento, há drogas hormonais em doses que podem danificar células do coração e o sistema vascular.

Publicações médicas reforçam que os riscos vão além da estética. Além de danos cardíacos, podem surgir hipertrofia de ventrículo esquerdo, trombose e alterações vasculares, com efeitos silenciosos e progressionais.

Portanto, a orientação é clara para quem atua ou convive com o fisiculturismo: abandonar o uso de substâncias, entender que não há ciclo “controlado” e buscar orientação médica para saúde cardiovascular e interna.

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