A ByteDance, dona do TikTok, colocou em gestão estratégica o desenvolvimento de CPUs próprias para alimentar data centers. A informação foi apurada pela Reuters e publicada nesta quinta-feira, 28 de maio. O esforço visa reduzir dependência de fornecedores externos em meio a pressões de mercado.
O plano envolve dois caminhos paralelos: uma CPU baseada na arquitetura ARM, de licenciamento britânico, e outra em RISC-V, padrão aberto criado nos EUA. A empresa aponta que ambas as frentes buscam ganho de desempenho para a infraestrutura de IA da companhia.
A iniciativa surge em um momento de alta de preços de chips de servidor. Intel e AMD reajustaram valores entre 10% e 35% nos últimos trimestres, elevando custos operacionais e justificando o investimento interno da ByteDance.
Orçamento de IA da ByteDance
A empresa projeta gastar cerca de 200 bilhões de yuans em 2026, aproximadamente US$ 29,4 bilhões. O valor representa alta de 25% ante 2025 e coloca a ByteDance em patamar similar aos hiperescaladores ocidentais.
Quase metade do orçamento deve ir para semicondutores avançados, segundo dados compilados pelo Crypto Briefing. Com o foco em CPUs próprias, o projeto de hardware ganha prioridade dentro do portfólio de IA.
Stateful de hardware da ByteDance
A linha de hardware da empresa inclui GPU própria em produção desde 2024, ASIC com Qualcomm para inferência e as duas CPUs previstas para data center. A ByteDance figura entre as chinesas Alibaba, Baidu e Huawei com estratégia de silício verticalizado.
Desenvolver ARM e RISC-V em paralelo permite testar mercados sem comprometer grandes recursos apenas em uma arquitetura. A prática é comum entre grandes players do setor.
Desafios regulatórios e de fabricação
O ambiente externo impõe limites: EUA restringem venda de GPUs avançadas à China, e a China orienta investimentos com capital estrangeiro sob delegação prévia. Funcionários seniores de IA enfrentam restrições de viagem ampliadas recentemente.
A etapa de fabricação depende de tecnologia de ponta. A produção em 4 nm ou menos costuma ficar com a TSMC, mas export controls dificultam acesso chinês. A SMIC opera em 7 nm, ficando atrás da líder taiwanesa.
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