Ao longo deste fim de maio, a França vive uma onda de calor sem precedentes, com temperaturas superiores a 35°C. O verão chega mais cedo, após marcadores entre 10°C e 15°C acima do normal, segundo o Météo-France. Na imprensa, incluindo a de direita, o debate sobre a relação homem-clima tem ganhado força entre negacionistas.
Jornalistas de meteorologia relatam pressão nas redes e nas vias públicas. Na France 2, Sébastien Thomas relata ter recebido uma enxurrada de ataques desde o início da onda. Já Christine Pena, da FranceInfo, diz que a hostilidade se aproxima da vida cotidiana, algo inédito para ela.
A imprensa observa que o discurso negacionista minimiza a responsabilidade humana e questiona a dramatização dos eventos. Atuam contra esse posicionamento jornalistas como Evelyne Dhéliat, da TF1, que se apoia na ciência para embasar seu trabalho.
Contexto climático
Uma pesquisa encomendada pela BFMTV ao Elabe mostrou que 35% dos franceses entendem que o país não está preparado para enfrentar altas temperaturas. Outros 56% avaliam que a adaptação pode melhorar, e 8% consideram as medidas já suficientes.
No dia 28, o centro e o sul registraram 37,8°C, recorde para um mês de maio. O premiê Sébastien Lecornu reuniu ministros para discutir preparação do verão, incluindo riscos de incêndios, uso da água e capacidade hospitalar.
O fenômeno ocorre sob um domo de ar quente sobre a Europa Ocidental, aprisionando calor vindo do norte da África. Itália, Reino Unido e Portugal também registram recordes de maio. As mudanças climáticas tornam episódios extremos mais frequentes, intensos e precoces, com projeção de aquecimento médio de 2,7°C na França até 2050.
Com AFP
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