Dois milhões de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica serão plantadas em 1,3 mil hectares na Bahia, em um projeto de restauração florestal financiado pelo Fundo Clima. O recurso de R$ 87,2 milhões é gerido pelo BNDES, com aporte do Ministério do Meio Ambiente.
A iniciativa é liderada pela Biomas e pela Carbon2Nature Brasil, empresas criadas para atuação em restauração ecológica e no mercado de créditos de carbono. A Biomas reúne sócios como Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale; a Carbon2Nature Brasil é uma joint venture entre Neoenergia (Iberdrola) e Carbon2Nature.
Eduardo Capelastegui, presidente da Neoenergia, aponta que o projeto busca grandes compradores de créditos de carbono, principalmente do setor de tecnologia e data centers, com interesse em créditos voluntários de alta qualidade. O financiamento substitui a maior parte do aporte inicial de R$ 55 milhões.
O plantio ocorre em áreas da Veracel Celulose, o que facilita a implementação, sem entraves de regularização fundiária. Os recursos também devem manter o projeto até 2029, quando a geração de receita começa. Até então, os acionistas investiram R$ 15 milhões.
Viés social e biodiversidade
O Muçununga envolve oito cidades baianas e participação de 14 comunidades locais, com ações voltadas a bem-estar, renda e infraestrutura. O objetivo é evitar incêndios e invasões, mantendo a floresta em pé. A participação comunitária também tende a elevar a qualidade dos créditos de carbono.
Mais de 100 espécies nativas foram mapeadas para o plantio, usando a estratégia de *stepping stones* para criar corredores biológicos. A meta é favorecer espécies ameaçadas, como o macaco-prego-do-peito-amarelo e o pau-brasil, fortalecendo conectividade ecológica na região.
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