A maioria dos brasileiros já utiliza inteligência artificial em etapas da compra online. Em estudo inédito, o Grupo Stefanini aponta que 66% consultam diferentes plataformas antes de comprar, e mais da metade usa IA de alguma forma no processo.
A pesquisa mostra que o Brasil é um dos maiores mercados globais para plataformas de IA, como as de large language models. Segundo a SimilarWeb, o país é o terceiro em uso total, atrás de EUA e Índia, com alta adesão às ferramentas mais populares.
O levantamento revela quais ferramentas já são mais usadas: Chat GPT, da OpenAI, lidera com 82% de familiarização e 67% em uso atual; Gemini, 80% e 60%; Google AI, Meta AI, Copilot e Perplexity aparecem em sequência. Em média, o brasileiro já utiliza pelo menos duas dessas plataformas.
Para explicar a escolha pela IA, a maioria cita praticidade: 97% consideram a IA melhor que uma busca manual para comparar, e 97% afirmam que ela explica prós e contras com clareza. Além disso, 97% dizem que a tecnologia economiza tempo.
Mesmo com benefícios, o estudo aponta desconfiança e ressalvas. Cerca de 55% já desistiram de uma compra por dúvidas sobre a IA, e 68% confirmam que as recomendações sofrem validação em fontes externas. O ceticismo é visto como o principal obstáculo à confiança.
Guilherme Stefanini, CMO global do grupo, afirma que ainda não é possível prever quando a barreira do ceticismo cai, mas espera-se avanço mais rápido do que com tecnologias anteriores, principalmente pela redução de erros e de golpes. Os humanos continuam fundamentais para a confiança.
A personalização já é percebida como patrimônio da IA na jornada de consumo. Pesquisas indicam que 87% dos usuários fornecem detalhes para a IA conhecer preferências, e conteúdos marcados pelos anunciantes com explicações claras tendem a se destacar nas recomendações.
Apesar dos avanços, há limitações apontadas. Segmentos que exigem experimentação, como moda e decoração, ainda dependem de intervenção humana. E, na etapa de transação, a IA costuma recomendar, mas não fecha a venda, levando usuários a ambientes não integrados.
A pesquisa aponta o conceito de *agentic commerce* como tendência emergente, com expectativa de crescimento acelerado. Analistas apontam ainda a importância da diferenciação entre conteúdos pagos e orgânicos, bem como o aumento da qualidade de dados para as LLMs.
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