O tráfico internacional de micos-leão-dourados atingiu uma nova dimensão, com redes criminosas retirando os animais da Mata Atlântica brasileira e levando-os para mercados estrangeiros. O foco é o tamarin-leão- dourado (*Leontopithecus rosalia*), alvo de traficantes que atuam por vias terrestres, náuticas e aéreas.
Entre 2023 e 2024, casos conectados a esse comércio foram observados em Suriname, Togo e no Brasil. Em Suriname, foram apreendidos sete micos-leão-dourados e 29 araras-lear; no Togo, 20 tamarins e 12 araras foram encontrados a bordo de um veleiro, após meses de deslocamento pela costa africana.
No Brasil, a Polícia Federal identificou o envolvimento de cúmplices em rotas que passam pela BR-364, no Amazonas, com animais apreendidos em Rondônia e Minas Gerais, em operações que apontaram um esquema transnacional de tráfico. Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, foi citado como ponto de saída provável.
Os tamarins chegam a custar até 100 mil dólares no mercado clandestino, com parte da remessa chegando a mercados asiáticos. Em muitos casos, os animais morrem durante o trajeto ou chegam debilitados, desnutridos e com problemas de pele, após semanas ou meses em condições precárias.
Especialistas ressaltam que o tráfico envolve o uso de documentos falsos, redes de intermediários e rotas que cruzam a Amazônia. O objetivo é abastecer criadouros comerciais e colecionadores, inclusive em países com forte demanda por fauna exótica.
Em resposta, autoridades brasileiras têm mantido operações de repressão e recuperação de animais; parte dos tamarins resgatados passa por recuperação e, quando possível, retorna à floresta no estado do Rio de Janeiro. O caso também levou a ações legais e investigações sobre facilitadores e possível participação de estrangeiros.
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