O Mil V-12 foi concebido na Guerra Fria pela União Soviética para transportar cargas militares pesadas até bases remotas, escondidas de radares e visões de satélite. O objetivo era levar mísseis nucleares sem depender de pistas de pouso.
A aeronave gigante pesava até 105 mil kg de decolagem e tinha um porão interno de quase 30 metros. Desenvolvido para operar em áreas sem infraestrutura, o helicóptero buscava superar limitações impostas pela espionagem aérea americana.
O projeto nasceu frente aos Voos de reconhecimento U-2, que mapeavam mísseis balísticos na União Soviética. A ideia era deslocar armamentos através do ar, para zonas ocultas da Sibéria. O engenheiro Mikhail Mil liderou a iniciativa.
O Mil V-12: desenho e propulsão
O helicóptero utilizou uma configuração incomum de duas asas com rotores nas extremidades, inspirada no Mil Mi-6. O sistema empregava oito turbinas Soloviev D-25VF, somando mais de 52 mil cavalos de força.
Essa montagem exigia alta precisão para manter a sincronização entre os rotores. A engenharia buscou redundância com eixos transversais para sustentar a rotação mesmo em falhas de um lado.
Desempenho e recordes
Após falhas iniciais, incluindo um colapso estrutural, o projeto recebeu ajustes para controlar oscilações. Na segunda etapa, o Mil V-12 somou sete marcas homologadas pela Federação Aeronáutica Internacional.
Entre os feitos, em fevereiro de 1969 foram levantadas 31 toneladas a quase 3.000 metros de altitude. Em agosto de 1969, mais de 40 toneladas acima de 2.200 metros foram erguidas.
Cancelamento e legado
Apesar dos recordes, a Força Aérea Soviética não aceitou a aeronave nos anos 1970. A evolução dos satélites espiões reduziu a necessidade de grandes transportadores aéreos para armamentos nucleares.
O programa foi oficialmente cancelado em 1974, com foco no Mil Mi-26. O último protótipo existente fica no Museu da Força Aérea de Monino, perto de Moscou, refletindo os limites da engenharia da época.
Entre na conversa da comunidade