O ebola voltou a preocupar o cenário sanitário global após um surto na República Democrática do Congo e em Uganda, que levou a OMS a decretar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. O risco global foi avaliado como baixo, mas autoridades monitoram a evolução de uma variante rara, Bundibugyo, sem vacinas ou tratamentos aprovados até o momento. Nesta semana, o número de casos suspeitos na África Central caiu de 906 para 116, após exames descartarem a doença em pacientes com outras enfermidades.
Ao todo, foram confirmados 330 casos de ebola, com 321 na RD Congo e 9 em Uganda. Do total, 49 pessoas morreram. A queda de casos suspeitos ocorre porque exames laboratoriais identificaram outras síndromes febris, como malária, meningite e febre sem relação com o vírus. Segundo a OMS, qualquer sintoma compatível pode representar um caso suspeito até a conclusão dos testes.
Medidas de combate
O surto foi declarado em 15 de maio na província de Ituri, no nordeste da RD Congo, região associada a conflitos e deslocamentos. Especialistas avaliam que o vírus já circulava semanas antes da identificação oficial. Governos, organismos e indústrias aceleram pesquisas e respostas à doença, incluindo parcerias para vacinas.
A farmacêutica Moderna assinou acordo com a CEPI para desenvolver uma vacina contra a variante Bundibugyo, com potencial de hasta US$ 50 milhões para pesquisas pré-clínicas e ensaios. Paralelamente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, informou que Washington irá reengajar-se com a aliança de vacinação Gavi.
Brasil e vigilância
No Brasil, dois casos suspeitos foram investigados recentemente, no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas descartados após exames. O diagnóstico confirmou malária no primeiro caso e meningocócica no segundo. O Ministério da Saúde reiterou que o país não registra casos confirmados de ebola.
O governo brasileiro ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, fortalecendo o monitoramento de viajantes de áreas afetadas, isolamento de suspeitos e rastreamento de contatos. A OMS esclarece que a Emergência de Saúde Pública não implica pandemia, e visa mobilizar recursos e coordenação global.
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