Costa Rica está diante de uma ação judicial que pode mudar a proteção de animais silvestres contra choques elétricos. O Tribunal Constitucional determinou que a ICE (Instituto Costarriquenho de Eletricidade) e o MINAE (Ministério de Meio Ambiente e Energia) implementem medidas para reduzir a eletrocussão de vida selvagem, especialmente de howler monkeys, nas linhas sem isolação no distrito de Nosara. A decisão, de janeiro, deu seis meses para corrigir o problema em cabos nus usados pela rede em Nosara.
No centro de resgate Internacional Ação para Animais Costa Rica (IARCR), a situação fica evidente. Em 2025, 108 animais foram eletrocutados, sendo os howler monkeys responsáveis por até 90% dos casos. O relato de veterinários do IARCR aponta que muitas vítimas chegam com queimaduras graves, traumas e, muitas vezes, com a mãe já morta.
A voz de especialistas reforça a gravidade do problema. O ambientalista Justo Martín Martín destaca que a fragmentação de habitats aumenta o risco, pois os primatas passam a percorrer áreas sujeitas às linhas elétricas. Estudos internacionais mostram ocorrências de eletrocussão de mamíferos em diversas regiões, reforçando a necessidade de soluções estruturais.
Medidas e desdobramentos
A alternativa apontada por especialistas inclui cabos isolados e dispositivos instalados no topo dos postes para impedir o contato com condutores. Também é sugerida a construção de pontes artificiais que conectem áreas florestais, facilitando a circulação sem riscos. O MINAE afirma já ter implementado medidas de prevenção e buscar soluções técnicas em parceria com a ICE, com planos de ação a serem apresentados até o fim de junho.
A expectativa é que a decisão se amplie além de Nosara. Gavin Bruce, líder da International Animal Rescue, diz que o problema é nacional e que a implementação efetiva pode estimular proteções mais amplas em todo o país. Observa-se, ainda, a necessidade de monitoramento contínuo para avaliar a aplicação das medidas.
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