Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, pediu que a inteligência artificial preserve os valores que moldaram a internet e dê mais controle aos usuários sobre dados pessoais. A defesa foi feita durante entrevista à AFP no festival SXSW, em Londres.
O cientista destaca que a web nasceu para facilitar a troca de informações entre pesquisadores de diferentes países. Ele afirma que a IA representa uma camada adicional da internet, que depende do enorme volume de dados disponíveis na web.
Berners-Lee considera a tecnologia empolgante, porém requer mais coordenação e regulamentação. A ausência de padrões globais para IA, segundo ele, dificulta a colaboração entre desenvolvedores e beneficia pouco os pioneiros do setor.
Ausência de padrões globais
O pesquisador aponta a falta de um órgão equivalente ao W3C para IA como entrave à padronização. Sem esse marco, a cooperação entre equipes que criam IA fica prejudicada e os avanços ganham menos consistência.
Inrupt e a proteção de dados
Berners-Lee atua há anos pela proteção de dados pessoais. Em 2018, cofundou a startup Inrupt, voltada a devolver aos usuários controle sobre informações. A empresa desenvolve ferramentas de armazenamento em que os dados ficam sob o controle do usuário.
John Bruce, cofundador da Inrupt, ressalta que modelos de IA precisam de dados para existir. Ele alerta para o risco de acesso irrestrito a dados de usuários e para a gravidade de possíveis impactos caso essa situação persista.
O assistente Charlie
A Inrupt trabalha em um assistente de IA chamado Charlie, apresentado como intermediário entre o usuário e sistemas como ChatGPT ou Claude. A ideia é analisar a pergunta e decidir quais informações enviar à IA, modificando dados pessoais para manter a privacidade do usuário.
Berners-Lee aponta que o objetivo do Charlie é preservar os valores originais da web, evitando que dados sensíveis sejam usados de modo inadequado. A ferramenta busca equilibrar utilidade da IA com proteção de privacidade.
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