A pesquisa CROWN, estudo internacional de fase 3, mostra controle prolongado da doença em pacientes com câncer de pulmão avançado ALK-positivo, tratados com lorlatinibe (LORBRENA). Dados atualizados indicam que mais da metade dos pacientes permaneceu sem progressão por pelo menos sete anos após o início do tratamento. A divulgação ocorreu com publicação no Annals of Oncology em 29 de maio, após apresentação no congresso ASCO.
Segundo a análise, 55% dos pacientes que receberam lorlatinibe estavam vivos e sem sinais de progressão após sete anos, em comparação com 3% no grupo que recebeu crizotinibe. A mutação ALK atua como gatilho para o crescimento tumoral, representando 3% a 5% dos casos de câncer de pulmão de não pequenas células. Terapias-alvo como o lorlatinibe visam esse mecanismo molecular específico.
Resultados de longo prazo
Os pesquisadores destacam que, mesmo com sete anos de acompanhamento, não foi possível calcular a mediana de sobrevida livre de progressão, pois mais da metade dos pacientes ainda não apresentava agravamento. A compressão de risco de crescimento tumoral ou morte foi de 81% em relação ao grupo controle.
Controle das metástases no cérebro
O estudo aponta importância adicional: o lorlatinibe reduziu em 94% o risco de progressão no sistema nervoso central frente ao tratamento de referência. Em 30 meses não houve novos casos de progressão cerebral entre quem recebeu o fármaco, e aos sete anos, 92% permaneceram sem progressão cerebral, ante 16% do grupo comparativo.
Implicações para a prática clínica
Pesquisadores ressaltam que grande parte das progressões ocorreu nos dois primeiros anos de tratamento. Entre quem chegou ao fim desse período sem agravamento, cerca de oito em cada dez seguiam vivos sem progressão cinco anos depois. A segurança do uso prolongado manteve o perfil conhecido, com eventos adversos frequentes como inchaço, alterações lipídicas, ganho de peso e mudanças neurológicas leves; a interrupção por causa de efeitos colaterais ficou baixa.
Impacto para o Brasil
No Brasil, o câncer de pulmão é uma doença com alta mortalidade. O lorlatinibe recebeu aprovação da Anvisa em 2020, passou a ser indicado como tratamento inicial para ALK-positivo em 2021 e integra o rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde desde 2022. Os resultados reforçam a tendência de terapias-alvo em manter pacientes com doença metastática estáveis por períodos longos, ampliando a perspectiva de manejo da condição.
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