O aquecimento global já afeta a pesca no Brasil, alterando a dinâmica dos oceanos e a rota de espécies marinhas. Isso impacta a economia de regiões produtoras, principalmente nos ambientes tropicais.
Pesquisadores ligados ao Inpo, como Ronaldo Cavalli, da UFRG e Flávia Frédou, da UFRPE, apontam que o aumento da temperatura faz cardumes migrar para águas mais frias ou profundas. A expectativa é de maior instabilidade na atividade pesqueira.
A situação se agrava com o super El Niño previsto para este ano, que eleva ainda mais a temperatura do Oceano Atlântico. A previsão é de impactos maiores sobre a disponibilidade de pesca e a segurança alimentar em países em desenvolvimento.
Mudanças na distribuição de espécies
Cavalli destaca que a albacorinha, prima do atum, migrou do Nordeste para o Sudeste e Sul. O deslocamento eleva custos de produção, aumenta o tempo de mar e reduz a renda de pescadores menores. A indústria de pesca sente o peso disso em toda a cadeia.
Segundo o pesquisador, a dinâmica de pesca envolve também a aquicultura. Embora avansem, a pesca permanece como importante sustento para comunidades tradicionais, com impactos sociais significativos em diversas regiões do país.
Impactos econômicos e questões de governança
Estudos da USP indicam que a economia azul brasileira já representa 2,9% do PIB, com 1,07% dos empregos diretos, elevando para 6,5% quando considerados efeitos indiretos. O desafio é adaptar políticas públicas e dados estatísticos.
Cavalli alerta para impactos sanitários na aquicultura, como mortes de ostras em Santa Catarina por ondas de calor. A contaminação de moluscos filtradores e o aumento de algas também são riscos associados ao aquecimento.
Caminhos para reduzir riscos
Especialistas defendem práticas de manejo na aquicultura, incluindo escolha de áreas, diversificação e genética. Ainda assim, ressalvam que decisões estratégicas de estado e ações para reduzir a mudança climática são cruciais.
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