Quem joga Pokémon Go pode ter contribuído, sem saber, para o desenvolvimento de tecnologia usada em drones e robôs militares dos EUA. A afirmação vem de reportagem do jornal holandês Trouw, que aponta dados coletados ao longo de anos por meio dos escaneamentos feitos pelos usuários dentro do jogo.
Segundo o Trouw, quase 30 bilhões de imagens e registros de jogadores ao redor do mundo teriam alimentado um sistema de navegação tridimensional criado pela Niantic Spatial, empresa derivada da desenvolvedora original do Pokémon Go. O objetivo seria treinar modelos capazes de operar mesmo em áreas sem GPS.
A tecnologia, descrita pela Niantic Spatial como parceria com a Vantor, seria aplicada a drones e robôs com uso em defesa. A empresa afirma que não utiliza diretamente os dados do Pokémon Go em projetos militares, mas não confirmou se o modelo atual foi treinado com esses escaneamentos.
Escaneamentos, dados internos e privacidade
Um executivo da Niantic Spatial indicou à imprensa que a empresa espera ampliar a coleta de imagens em ambientes internos, o que intensifica preocupações sobre privacidade. O tema envolve também registros feitos dentro de residências, levantando debates sobre o alcance de uso de dados de pessoas.
Especialista em ética e tecnologia da TU Delft, Jeroen van den Hoven, afirma que o volume de imagens contribuiu para acelerar o desenvolvimento do sistema. Ele ressalta que, após incorporação aos modelos de IA, os dados podem tornar-se difíceis de rastrear, dificultando identificar quais imagens influenciaram a tecnologia.
Além disso, o professor cita que consumidores podem ter sido informados de forma inadequada sobre o destino de seus dados. A Niantic Spatial já havia admitido, em outra ocasião, que escaneamentos do Pokémon Go foram usados em uma versão inicial do sistema, segundo o jornal.
Posições e impactos
Em nota ao Trouw, a Niantic Spatial afirma que os jogadores aceitaram voluntariamente os termos de uso e que a empresa atua eticamente, comprometida com o uso responsável de suas tecnologias, direitos humanos e princípios éticos. A reportagem aponta que a coleta pode ter ocorrido sem o conhecimento explícito de quem joga.
Especialistas ressaltam que dados de usuários podem alimentar aplicações militares de forma indireta. Mesmo assim, a empresa sustenta a necessidade de equilíbrio entre inovação tecnológica e salvaguardas para a privacidade.
Entre na conversa da comunidade