O calor pode elevar o risco de homicídios na América Latina. A conclusão vem de um estudo do projeto Saúde Urbana na América Latina, com participação da Faculdade de Medicina da USP, que analisou 307 cidades da região entre 2000 e 2019. O objetivo foi observar a relação entre dias mais quentes e mortes por homicídio, avaliando cada cidade individualmente.
A pesquisadora Sara Lopes de Moraes, da USP, explica que a associação já era investigada há décadas. Em dias de temperaturas mais altas, observa-se irritação, mudanças na rotina e maior consumo de álcool, fatores que podem aumentar comportamentos violentos.
O estudo não compara cidades quentes com frias; ele verifica se, em dias acima da média local, houve maior risco de homicídios nas cidades analisadas. A pesquisadora ressalta que, embora o percentual atribuído ao calor seja pequeno, o resultado é relevante diante das ondas de calor cada vez mais frequentes.
Detalhes do estudo
O levantamento abrange cidades brasileiras entre 2000 e 2019, incluindo diferentes grupos populacionais. Ao todo, foram considerados homens, mulheres e várias faixas etárias. O calor respondeu por 0,61% das mortes por homicídio registradas no período.
Especialistas lembram que a violência está ligada a estruturas como desigualdade, atuação do Estado e atuação de redes criminosas. Mesmo assim, o calor pode atuar como fator adicional de risco, ampliando a complexidade do problema.
Implicações para políticas públicas
Os resultados fortalecem a necessidade de incorporar efeitos climáticos no planejamento urbano. Medidas para reduzir o calor urbano, sistemas de alerta e educação da população são sugeridas para enfrentar eventos extremos. Tais ações podem reduzir impactos diretos à saúde e também a mortalidade por homicídios.
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