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Desmatamento cai no Brasil e reforça manter políticas eficazes

Desmatamento cai 20,6% em 2025, abaixo de um milhão de hectares; porém projeto de lei pode restringir fiscalização e frear avanços.

Fotografia de uma árvore solitária ergue-se no meio de uma terra arada e seca na Amazônia brasileira, com solo vermelho e colinas distantes sob um céu claro.
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O desmatamento no Brasil caiu em 2025 pela primeira vez abaixo de um milhão de hectares, segundo o RAD 2025 do MapBiomas. Foram 984.794 hectares de vegetação nativa suprimidos no ano, queda de 20,6% frente a 2024. A redução ocorre pelo terceiro ano seguido.

A área desmatada continua a ser a maior do mundo, mesmo com a queda. Em média, o país perdeu 2.698 hectares por dia em 2025, ou 112 hectares por hora. Nos sete anos anteriores, o total desmatado soma 10,9 milhões de hectares.

Desempenho por bioma e concentração regional

O Pantanal teve a maior queda proporcional, de 48,4%. A Amazônia reduziu 23,5% e o Cerrado também recuou, ainda assim liderando em área desmatada com 540.614 hectares, equivalente a 54,9% do total nacional. Amazônia e Cerrado responderam por mais de 84% da perda.

A região do Matopiba concentrou 40% da perda de vegetação nativa e 70% do desmatamento do Cerrado. O município com maior área desmatada em 2025 foi Canto do Buriti, no Piauí, com 20.877 hectares.

Origem da pressão desmatadora

O RAD 2025 aponta que o desmatamento é majoritariamente associada à expansão agropecuária, responsável por 99% da área desmatada em 2025. O texto reforça que muitos produtores cumprem a lei, mas a pressão ocorre especialmente onde há supressão de vegetação nativa.

Desde 2019, quando o MapBiomas Alerta começou, a proporção de áreas com ações de controle subiu de 5% para 65% em 2025. A mudança reflete investimentos em detecção, validação técnica e uso efetivo por órgãos de fiscalização.

Tecnologia como ferramenta de atuação

A combinação de monitoramento por satélite, laudos de alta resolução e cruzamento com cadastros públicos permite identificar rapidamente a área afetada, a autorização, e recortes territoriais como terras indígenas ou unidades de conservação. A tecnologia, por si, não substitui o agente público, mas amplia sua capacidade de agir.

Essa prática facilita priorização de operações, orienta fiscalizações presenciais e permite medidas administrativas para conter danos.

Legislação em debate

A Câmara aprovou um projeto de lei que restringe a adoção de medidas cautelares por órgãos ambientais, incluindo embargos baseados em monitoramento remoto. O texto segue para o Senado e pode impactar a atuação fiscalizatória.

Defensores da medida argumentam o direito de defesa, enquanto críticos apontam que, em crimes ambientais, o tempo é crucial para interromper danos. O RAD 2025 enfatiza a importância de agir com rapidez com base em evidências verificáveis.

Desafios e caminhos futuros

Mesmo com a queda, o desmatamento continua significativo, com quase 2.700 hectares desmatados por dia. Mais da metade dos municípios apresentaram pelo menos um evento de desmatamento em 2025, e áreas como Cerrado, Matopiba e zonas privadas sem autorização permanecem pressionadas.

Especialistas destacam que reduzir o uso de tecnologia seria retrocesso. O Brasil tem uma das fontes de monitoramento mais completas do mundo, resultado de décadas de investimento público e cooperação entre instituições. Manter e fortalecer essa capacidade é considerado essencial para transformar a queda de 2025 em tendência duradoura.

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