O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão é preventiva e ocorre enquanto autoridades avaliam se os quase 4 mil registros de efeitos adversos têm relação com a vacina. Até o momento, não houve comprovação de causalidade.
Entre janeiro e 30 de maio, foram aplicadas 501.044 doses. A maior parte, 417.432, destinou-se a profissionais da atenção primária. Quatro municípios tiveram vacinação em massa, sem registro de eventos graves entre os moradores.
O sistema de farmacovigilância identificou 3.703 notificações de eventos com sinais parecidos aos da dengue, correspondentes a cerca de 0,7% dos vacinados. Desses, 42 casos apresentaram sinais de alarme compatíveis com formas mais graves da doença, correspondendo a aproximadamente 0,008% do total.
Casos e investigação
A suspensão ocorre para ampliar a investigação, que envolve o PNI, a Anvisa e o Butantan. O objetivo é compreender fatores como perfis de pacientes, lotes aplicados ou cenários epidemiológicos que possam ter contribuído para os registros.
Segundo o ministério, a decisão não reflete perda de proteção entre os vacinados. O diretor do PNI afirma que os imunizados continuam com imunidade contra os quatro sorotipos da dengue.
O Butantan informou que a medida busca garantir a segurança da população nas próximas etapas. Em municípios com vacinação em massa, o acompanhamento de farmacovigilância foi positivo, sem grandes sinais de reação adversa.
O governo orienta monitorar a rede hospitalar em busca de casos de dengue entre pessoas recentemente vacinadas, além de acompanhar por lote, unidade de saúde e território. Estados e municípios foram instruídos a suspender novas aplicações com as doses disponíveis.
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