O governo do Quirguistão formalizou um corredor ecológico de grande extensão para leopardos-das-neves e outras espécies de montanha. Denominado Ak Ilbirs, o corredor abrange cerca de 800 mil hectares e foi criado com foco no clima do futuro.
A iniciativa mobiliza órgãos nacionais e parceiros internacionais. O CAMCA, coordenado pelo PNUMA, atua com o governo do país, a Humboldt Universität e organizações locais como CAMP Alatoo e a Ilbirs Foundation.
O projeto conecta áreas protegidas, pastagens e florestas em 14 comunidades rurais, buscando permitir a movimentação da fauna diante da mudança climática. Leopardos, argali e ibex devem encontrar trajetos seguros ao longo do corredor.
O desenho foi feito com base em previsões climáticas, conhecimentos locais e avaliações técnicas. Estudos indicam que mais de 60% do habitat adequado para leopardo e presas deve ficar dentro do corredor sob cenários futuros.
O formato do corredor difere de áreas estritamente protegidas. Segundo Murat Zhumashev, da CAMP Alatoo, a iniciativa adota uma abordagem regulatória e não envolve retirada de terra nem proibições severas.
Medidas de manejo incluem zonas sem pastagem e restrições sazonais de pastoreio, além de manter pelo menos 40% da vegetação como alimento para animais selvagens. Tais regras visam reduzir conflitos entre rebanhos e fauna nativa.
Com o apoio da UNEP, o CAMCA também investe na diversificação de renda para comunidades locais, com apicultura, pomares e ecoturismo como alternativas ao manejo exclusivo de grandes rebanhos.
A meta é manter o equilíbrio entre conservação e subsistência rural, promovendo mudanças políticas e de comportamento no terreno. Especialistas aguardam impactos positivos na saúde dos ecossistemas de montanha.
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