O Mar de Aral, entre Uzbequistão e Cazaquistão, sofreu uma redução drástica desde os anos 1960, quando rios passaram a irrigar plantações de algodão. A retirada de água deixou o lago secar em mais de 90% de sua área, transformando-o em deserto e gerando impactos econômicos e ambientais.
Moynaq, no Uzbequistão, tornou-se símbolo da hecatombe: barcos enferrujados pela areia lembram o que houve. A poeira carregada de sal e toxinas percorre centenas de quilômetros, afetando a saúde, a qualidade do ar e a produção agrícola da região.
A cooperação entre China e Uzbequistão surge como resposta técnica a esse cenário. Pesquisadores chineses e uzbeques buscam recuperar o entorno degradado usando saberes de áreas áridas da China.
Cooperação sino-uzbeque e objetivos
Projeto conjunto aplica técnicas de desertificação e salinização já utilizadas no noroeste da China. O foco é reduzir a poeira salina e estabilizar o solo para proteger comunidades locais.
Entre as ações estão plantas halófitas, como o arbusto saxaul, que ajudam a fixar a areia e diminuir a erosão. Cientistas enviaram ao Uzbequistão, no início de 2025, mais de uma tonelada de sementes resistentes à salinidade.
Tecnologias e infraestrutura hídrica
Além da vegetação, utilizam-se sistemas de irrigação por gotejamento alimentados por energia solar. Painéis fotovoltaicos asseguram água de forma eficiente em áreas remotas, ampliando a viabilidade dos programas.
Esforços nacionais e apoio internacional
Desde 2021, o Uzbequistão tem plantado mais de 45 milhões de árvores no antigo leito do lago. Lagos artificiais, abastecidos por rios da bacia, buscam criar novos habitats e mitigar a desertificação.
Organizações internacionais apoiam a iniciativa, que é vista como laboratório para recuperação ambiental de larga escala. O objetivo não é reconstruir o Aral antigo, mas reduzir danos ambientais e sociais.
Perspectivas e limitações
Especialistas ressaltam que é improvável retornar às condições históricas do lago. As ações atuais priorizam contenção de poeira salina e melhoria de vidas locais, com monitoramento de longo prazo ainda necessário.
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